quinta-feira, 15 de março de 2007

DANÇA DE MAR


…..é curioso, como somos unidos, também neste momento te escrevia!

Naquele dia fiz as malas logo pela manhã, queria partir o mais cedo possível, todo aquele ambiente me sufocava, o meu coração sempre foi claustrofobico, não podia demorar-me mais, preso naquela sensação de infinito e vazio que se espalhou por toda a casa.
As paredes que outrora contemplei na harmonia dos quadros que as preenchiam, estão agora vazias e nuas, roubaram-lhes a alma.
A imaginária bailarina que ao som daquela melancólica e triste melodia, tantas vezes vi ensaiar passos de dança, tão delicada e tão serena. Feliz rodopiava vezes sem conta, e voltava mais uma vez, e outra …outra, também ela sufocada pela dor da solidão, me pediu que a deixasse partir….
Pela manhã, ainda se sentia cair o orvalho, saía para a rua para conversar com o Sol, que timidamente ia acordando por detrás do horizonte, e sempre que me via chegar, se enchia de luz e calor para me dar os bons dias. Acolhia-me, abraçava-me!
Depois chegavam os cheiros, que enchiam todos os recantos, aos poucos iam-se juntando as vozes e os risos, que ecoavam já pela casa. Nascia assim mais um dia, sem nunca nos sentirmos sós.
Olho para as malas ainda por desfazer, cobertas de algum pó que os anos ajudaram a acumular. O que terão dentro? Não sei. Naquele dia, recordo-me agora, quis apenas arrumar-lhe dentro as “tralhas”, as recordações, os momentos de tempos em que fomos felizes.
Ainda não me senti com coragem para as abrir, preciso de ti, juntos, retiraremos peça a peça, traduzindo cada momento em memórias que fazem parte de “nós”.
È este o caminho da continuidade, é esta a história que poderemos escrever….

Um comentário:

Lia disse...

Parabéns!
"Completamente rendida, ponho meus olhos no horizonte longinquo, e sinto a brisa, fresca, leve e pura que me acaricia o rosto."
Acho que deves continuar...