domingo, 25 de março de 2007

VIAGENS!


Em busca de cantos no mundo onde a paz pudesse ser encontrada, parti. Segui o rumo riscado nesta carta de navegação que de vez em quando vou procurar nas memórias e na invenção do momento. Marquei os rumos levemente a lápis com o intuito de que permitissem ser a meu gosto, corrigidos de acordo com os inesperados e, mas também com “os esperados”:
de mim e do rumo.
Subi este país ao entardecer duma sexta feira qualquer.
A sexta feira projecta em cada um de nós anélitos repetitivos, mas que nos vão causando sensações entre a liberdade e o ensejo de gastar o nosso tempo, esse espaço temporal que inexorávelmente irá desembocar no reinicio doutro ciclo de obrigações e (des)compensações de construção laboral e pessoal.
Abro parêntesis para realçar o meu agrado a esta “construção laboral”:
evoca-me o desassossego de vozes e atitudes com que me vi crescer. Evoca-me a reivindicação, a sensação de que nada é nosso, o nosso trabalho, o nosso futuro é sempre dos doutos senhores, mas lutamos....lutamos!
Também por isto as Sextas Feiras....
O percurso leva-me ao Cabo Mondego, num fim de tarde, no ambiente aconchegante deste meu barco com rodas sinto o vento lá fora, á medida que me desloco para a ponta do cabo mais as árvores e os arbustos me demonstram como o vento está forte.
Chego a tempo de registar o momento!
A luz intensa do astro rei mergulha ao longe no Atlântico:
pôr-do-sol!
“Decor” de imensas cenas românticas, seguramente testemunhando uma imensidão de promessas e juras de amor, molhadas a beijos, cinjidas entre braços que pela força que une os corpos exprimem outros desejos, entrelaçando sensualidades nas palavras e murmúrios, nas salivas, nos olhos, e no ritmo mais vivo dos corações.
Cenários reconhecidos, mas nem por todos sentido!
Descanso agora em porto de abrigo, quero continuar a viagem….



Sabado, 24 de Março de 2007

Mudar, depende de mim!

O pulsar do mar de encontro às rochas faz-me reflectir que há muito não consigo interagir com os demais. As pessoas magoam-me com os seus comentários. Tanto, como o bater das ondas de encontro ao farol.
Depois, bem! Depois dizem-me faça um poema a sorrir, fresco e radiante como um dia luminoso.
Não um sorriso plástico!!! Um sorriso largo a cores, terapêutico, com o lábio superior no pôr-do-sol cor de rosa e o inferior no azul do mar…
Consegue?
Sei que sim!!!
Empresto-lhe uma das minhas asas logo que cresçam!
Voaremos, sorriremos e conseguiremos junt0s….

quinta-feira, 15 de março de 2007

DANÇA DE MAR


…..é curioso, como somos unidos, também neste momento te escrevia!

Naquele dia fiz as malas logo pela manhã, queria partir o mais cedo possível, todo aquele ambiente me sufocava, o meu coração sempre foi claustrofobico, não podia demorar-me mais, preso naquela sensação de infinito e vazio que se espalhou por toda a casa.
As paredes que outrora contemplei na harmonia dos quadros que as preenchiam, estão agora vazias e nuas, roubaram-lhes a alma.
A imaginária bailarina que ao som daquela melancólica e triste melodia, tantas vezes vi ensaiar passos de dança, tão delicada e tão serena. Feliz rodopiava vezes sem conta, e voltava mais uma vez, e outra …outra, também ela sufocada pela dor da solidão, me pediu que a deixasse partir….
Pela manhã, ainda se sentia cair o orvalho, saía para a rua para conversar com o Sol, que timidamente ia acordando por detrás do horizonte, e sempre que me via chegar, se enchia de luz e calor para me dar os bons dias. Acolhia-me, abraçava-me!
Depois chegavam os cheiros, que enchiam todos os recantos, aos poucos iam-se juntando as vozes e os risos, que ecoavam já pela casa. Nascia assim mais um dia, sem nunca nos sentirmos sós.
Olho para as malas ainda por desfazer, cobertas de algum pó que os anos ajudaram a acumular. O que terão dentro? Não sei. Naquele dia, recordo-me agora, quis apenas arrumar-lhe dentro as “tralhas”, as recordações, os momentos de tempos em que fomos felizes.
Ainda não me senti com coragem para as abrir, preciso de ti, juntos, retiraremos peça a peça, traduzindo cada momento em memórias que fazem parte de “nós”.
È este o caminho da continuidade, é esta a história que poderemos escrever….

domingo, 11 de março de 2007

LUZ.....

Com sol, a luz enche-nos o olhar e empurra-nos para a contemplação.

Passeios..., sem esperança de ver os golfinhos, mas com a esperança de que não se afastem deste "farol".

Simplicidades, de vida e até de fotografias!!!!!

domingo, 25 de fevereiro de 2007

GRANDES PORTUGUESES!





Grandes portugueses, partimos na procura de novos mundos.....


Sem vontade reconhecendo a falta de ânimo para dar continuidade a esta vida de momentos vistos e vividos, sem futuros alinhados, sobrepondo-se o previsívelmente inesperado que nos traz mãos cheias de nada.
Vida de mares calmos, navegação em "piloto automático", sem vento, onde escasseia o perigo por insuficiência do desafio.

O ponto de partida há muito que está referenciado, o ponto de chegada tem igualmente marcação, pontos que neste avançar vão sendo sancionados por episódios que só fortalecem a convicção deste "...ir e voltar", deste caminho já feito.
O tempo ajuda a iludir criando segurança e defesa para ambiguidades. Na ida, sentado sempre na mesma cadeira, com o olhar perdido nessa quietude, o sol obrigando a um ligeiro piscar de olhos, e que ironia, já que circunstancialmente esta caracterização foi observada para troca de olhares que deram ocasião a propostas românticas e de caminhos comuns, mais audaciosos que esta rota. No regresso tudo se mantêm menos o olhar, agora o tal piscar mudou de face deixou de ser a tal proposta, o desafio, marca agora um traço talvez de cansaço, assim navegamos, sózinhos, merecendo dos outros a simples cautela de manter este pretenso silêncio.


Grandes portugueses.......!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007




Podem controlar-me a terra, o mar e o ar, mas não o pensamento! Confecciono duas grandes asas prendo-as aos ombros e consigo levantar voo.Flutuo ao sabor do vento, deslizo com as correntes, elevo-me graciosamente, subo em círculos, o céu infinito, o vento a enfunar-me as asas e sinto a liberdade que há muito não experimentara. Olho para baixo, sobre o nada, tudo! Vejo a cidade, seus habitantes, o trânsito, o ruído, os túneis, derrotas e ruínas…Almejo chegar mais próxima do céu, deslumbrar-me no passeio das nuvens almofadadas. Nesta divagação perco a noção do dia e da noite, as nuvens mudam de cor, fatigada vislumbro a claridade da aurora na luz de um farol, pouso as asas, sinto a palavra só e adormeço.


Passeando junto ao rio, em domingo de Carnaval........

Pastéis de Belem e, construções que nos questionam.